Roberto Fonseca

RobertoFonseca

Nome: Roberto Alves da Fonseca
Cidade/Estado: São Paulo/São Paulo
Bio: Jornalista, escrevo sobre Política e Administração desde 1998 e sobre cervejas desde 2005.
Atuação na cerveja: Blog & mídias cervejeiras/Escritor(a) cervejeiro(a)/Jornalista, Sommelier/Sommelière, Degustador(a)
Site/blog: Não informou.
Facebook: https://www.facebook.com/roberto.fonseca.1829
Twitter: twitter.com/bob_do_blog
Instagram: instagram.com/robertoafonseca
Untappd: untappd.com/user/Brazilian_Bob

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1) Melhor Ale produzida no Brasil
Dama Reserva 5 Anos. A primeira impressão que tive ao provar essa cerveja foi a de cerejas. Muito boa presença de madeira e maltes. E a um preço consideravelmente interessante (paguei na casa de R$ 30 a garrafa de 500ml).

Onde você a provou?
Em casa

1a) Melhor IPA produzida no Brasil (American, English, Session, Imperial, Black, Belgian etc)
Blondine/Dogma California IPA. Voltar ao Brasil depois de um ano provando American IPAs na fonte e tomar as versões nacionais criou um certo “atrito de aterrissagem”. Ao menos até provar essa receita em chope, recém-tirada do tanque e plugada na chopeira. Uma pancada de lúpulos no aroma e sabor e com um harsh (aspereza) controlado, dois elementos não muito fáceis de achar nas IPAs nacionais.

1b) Melhor Stout produzida no Brasil (Sweet, Dry, Export, Imperial etc)
Random/Lohn Carvoeira. Cerveja criada pela catarinense Lohn Bier em parceria com a Drei Adler/Random do homebrewer Daniel Ropelato, é uma Imperial Stout que leva funghi secchi e cumaru na receita. Foi uma bela surpresa no Degusta Beer no meio do ano. Mas a Lohn precisa tomar cuidado com a estabilidade de suas receitas em garrafa.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Cevada Pura Lemondrop. É uma escolha pouco usual, reconheço. Nem eu levava muita fé quando comprei a long neck. Mas estava fresca, sem diacetil aparente (ao menos para a minha percepção) e com uma boa presença de lúpulo. Me pareceu uma receita “de trabalho” bastante interessante, ainda mais em chope.

Onde você a provou?
Em casa

2a) Melhor Bock/Doppelbock produzida no Brasil
Bamberg Bambergerator. Não tomei muitas cervejas do estilo em 2015, mas esta ainda é minha favorita. Em especial em chope, na festa de aniversário da cervejaria.

3) Melhor Sour ou Wild Ale produzida no Brasil (cervejas ácidas)
Morada Amburana Sour. Quando lançou suas Sours de verão em São Paulo, o André Junqueira trouxe essa aqui como bônus, em chope. Para mim, a melhor feita na Morada. E estava a um preço bastante convidativo (growler de um litro a cerca de R$ 35 no Empório Alto dos Pinheiros). Infelizmente, o Junqueira disse que essa receita só deve ser reproduzida lá fora. Quem sabe ele muda de ideia?

4) Melhor Barrel ou Wood Aged Beer produzida no Brasil (cervejas maturadas em madeira)
Dama Reserva. Não tomei muitas Barrel/Wood Aged nacionais em 2015, mas esta, sem dúvida chamou muito a atenção. Menção honrosa para a Canudos Oak Port-Barrel Aged da Motim, do Rio de Janeiro.

5) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Brooklyn Sorachi Ace. Retornando ao Brasil no meio de 2015, minha prioridade era recuperar o tempo perdido e provar o maior número de rótulos nacionais que não conhecia. Com isso, consumi muito poucas importadas. Mas sempre me impressiona a capacidade da Sorachi em ter um padrão, seja em chope ou garrafa – algo que quase nenhuma outra Brooklyn consegue.

6) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Weihenstephaner Korbinian. Doppelbock que provei aos 40 minutos do segundo tempo no ano, em meio a um calor infernal, mas que agradou bastante. Na minha opinião, no mesmo patamar da Ayinger Celebrator.

7) Melhor Sour ou Wild Ale estrangeira à venda no Brasil (cervejas ácidas)
Hanssens Oude Kriek. Uma das poucas Sours importadas que tomei no Brasil em 2015. Mas estava bem boa.

8) Melhor Barrel ou Wood Aged Beer estrangeira à venda no Brasil (cervejas maturadas em madeira)
De Molen Ook Best Lekker!. Obrigado, Revista Menu! Se não fosse pela degustação de Natal, não teria voto nessa categoria em 2015.

9) Melhor cerveja caseira
Sour Barleywine do Thiago Verdini. Uma das boas surpresas do concurso estadual da Acerva Carioca. Equilibrou bem as notas de malte e frutadas da Barleywine com a ação de leveduras selvagens (ou domesticadas, no caso). Ainda falta dar um pouco de estabilidade à produção, mas é uma cerveja muito promissora.

10) Há algum estilo de cerveja que careça de mais oferta de rótulos no Brasil? Qual?
Pilsner. . As importadas, em geral, chegam “abotoando o paletó”. E entre as nacionais é raro encontrar exemplares sem diacetil, com boa presença de lúpulo e amargor e final seco.

10a) Em 2015, você consumiu mais cervejas…
Nacionais

10b) Da mesma forma, em 2015 você tomou mais…
Chope/growler

11) Melhor bar cervejeiro ou brewpub ou taproom nacional
Empório Alto dos Pinheiros (Parei de usar a sigla EAP depois que um amigo de fora de SP me disse que também significava Edema Agudo de Pulmão). Continua sendo o local que mais frequento. Concentra lançamentos cervejeiros, tem uma boa variedade de garrafas, um menu que me agrada – e fica no caminho de onde preciso passar algumas vezes por semana

11a) Melhor restaurante brasileiro com oferta de cervejas
Aconchego SP. Boa comida, uma boa carta de cervejas, no sentido estrito da palavra (e não apenas em quantidade) e algumas opções de chope.

11b) Qual o local brasileiro em que você tomou chope na melhor condição de qualidade?
São Paulo Tap House. A premissa de servir apenas chopes nacionais é boa, assim como o esforço de conseguir barris difíceis ou inéditos em SP. O serviço de chope, com câmara fria para o estoque, também merece destaque. Mas é preciso tomar cuidado com a qualidade dos chopes no que toca a prováveis defeitos de produção – afinal, um bom serviço inclui também saber (e poder) tirar da linha um barril que esteja com problemas. Isso, é bom reforçar, vale também para outros bares cervejeiros paulistanos.

12) Melhor mídia cervejeira (blog, site, podcast, videocast, canal de Youtube, programa de rádio, programa de TV etc)
Não votou.

12a) Melhor site de cervejaria nacional
Seasons.

12b) Melhor comunicação visual de cervejaria nacional
Weird Barrel. Uma das principais lições para candidatos em campanha é: mantenha-se na sua mensagem e não se desvie dela. Pois bem, a Weird Barrel abraçou o estilo pirata e o manteve em toda comunicação até o momento. Nome difícil, mas boa visualização nos eventos.

13) Melhor sommelier/sommelière de cerveja brasileiro(a)
Carolina Oda. No mundo cervejeiro, não é fácil achar pessoas que transitem por vários departamentos da gastronomia com conhecimento de causa. E isso é, em minha opinião, essencial – as grandes sacadas, aquele momento do “eureca!” para uma receita de cerveja com café, frutas, temperos, ou ainda harmonizações, blends etc, só vira se as conexões de experiências certas forem feitas no cérebro. Para que isso ocorra, é preciso ter essas experiências, algo que, creio, a Carolina busca constantemente. Se acertar mais o foco, vai (mais) longe.

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Mondial de la Bière. Não pude ir ao Festival Brasileiro da Cerveja em 2015, logo não tenho como comparar. Por isso fico com o Mondial, que ano passado reuniu uma boa quantidade de novidades e, mais interessante, um número considerável de novos produtores do Rio.

15) Melhor fato cervejeiro do ano
Parece que, finalmente, a “boa” política (no sentido de mobilização popular) começou a interessar o meio cervejeiro. A campanha do Simples foi um exemplo. Mobilizados produtores e apreciadores, porém, é preciso ir além da empolgação e analisar a fundo o que atrapalha o setor e soluções para esses problemas. O Simples, por si só, não vai resolver a situação. Tornar públicas todas as ações de articulação também é um passo importante para mobilizar e manter apoio.

16) Pior fato cervejeiro do ano
Para não ficar na questão tributária, me irritou bastante a quantidade de “pesquisas” sobre supostos benefícios da cerveja, que mais parecem fazer lobby pela bebida do que ter alguma base científica. Algumas chegam ao ponto de associar padrões de comportamento ao consumo de cerveja ou preferência por amargor na bebida. Na grande maioria, carecem de estudos similares que verifiquem as hipóteses alardeadas, amostragens consideráveis e por aí vai. Pior, são replicadas dezenas de vezes nas redes sociais como suposta peça de propaganda em favor da cerveja. Isso sim é um desserviço à bebida. Menção honrosa para o chatíssimo meme “todo pedaço de pão carrega a triste história…”.

17) Previsão cervejeira para 2016
Em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Se mantido, o cenário de retração do consumo pode aumentar as disputas por espaço de consumo não apenas entre as micros e a grande indústria, mas entre as próprias micros. A meu ver, é maior a chance de alguns produtores não conseguirem prosseguir, e ou se associarem ou fecharem – neste último caso, pensando de modo otimista e pragmático, pode ser uma oportunidade para cervejeiros iniciantes e habilidosos comprarem equipamentos mais baratos. Foi assim nos EUA décadas atrás.

18) O que você entende por escola cervejeira?
Entendo ser um bom tema para perguntas. A sério, é um conjunto de características técnicas, de insumos, políticas, culturais e econômicas que norteia e molda uma produção cervejeira.

18a) Na sua opinião, o Brasil conseguirá ter uma escola cervejeira própria um dia?
Não sei. Eu até imagino que alguns estilos “nacionais” possam surgir, apesar das dificuldades com insumos e equipamentos. Mas outro obstáculo, a meu ver, é pensar na seguinte situação: um cervejeiro eventualmente descobre uma técnica ou insumo novo. Ele(a) vai às redes sociais falar da descoberta e que produziu “a primeira cerveja brasileira X ou Y”. Será que outros produtores verão isso e, ainda assim, seguirão o mesmo caminho? Uma escola cervejeira, creio eu, pressupõe que um número amplo de cervejeiros siga as mesmas diretrizes e elas se tornem conhecidas dos consumidores. Da mesma forma, considero as escolas cervejeiras similares aos antigos softwares de computador – alguém criou, os outros usam mas precisam “pagar” por isso (no caso, reconhecer que adotaram a escola X ou Y). O cenário atual se parece mais com a internet 2.0, em que há programas (estilos) básicos sobre os quais cada um dá seu toque pessoal. Da mesma forma que você pode conectar vários plugins e aplicativos a uma plataforma como o Facebook, pode pegar um estilo clássico e moldá-lo conforme sua preferência na hora de fazer cerveja. Isso é bem bacana, mas dificulta um bocado a compilação em grupos ou escolas.

19) A situação econômica do Brasil fez com que você alterasse projetos e hábitos cervejeiros? De que forma?
Passei a dar prioridade a chopes e growlers de cervejas nacionais e, de preferência,  produzidas perto de onde vivo. Não diria que isso foi causado pelo momento econômico – é, na verdade, uma mudança de filosofia -, mas com certeza me fez economizar.

20) O que você acha de negociações (aquisição, fusão etc) entre grandes grupos cervejeiros e micro cervejarias?
Antes de responder, tomo a liberdade de pegar emprestadas as palavras de dois sábios da cerveja brasileira que, infelizmente, não puderam participar desta enquete. “É fácil ser xiita com o dinheiro dos outros”, diz o mestre cervejeiro Paulo Schiaveto. De fato, só podemos ser xiitas com nossas próprias posses. Logo, cada um sabe o que faz com seu dinheiro – ou, no caso, sua cervejaria.
“4Q2N: quer, quer, não quer, não quer”, já dizia há anos LG Belmonte, numa fórmula de que me lembro até hoje e repliquei ao comentar a venda (ou fusão, ou qualquer que seja o nome da operação) da Wäls e da Colorado para a Ambev. Se você concorda com a negociação, continue comprando; afinal, poderá reclamar se houver mudança de qualidade. Se você não concorda, há cerca de 300/400 outras micro cervejarias por aí, e elas agradecerão muito seu apoio para continuarem no mercado.

Dito isto, passo ao que eu espero que ocorra após as aquisições:

– Que a qualidade da cerveja melhore de modo diretamente proporcional ao acesso que o adquirido passa a ter a insumos, equipamentos e orçamento da compradora, e não se limitando ao “mais do mesmo”;

– Que a cervejaria adquirida possa distribuir seus produtos novos consumidores e novos pontos de venda ainda não familiarizados com cervejas especiais, utilizando o orçamento da compradora para educar e criar uma cultura cervejeira de fato, não se limitando apenas aos bares e restaurantes onde já há oferta de pequenas cervejarias, competindo de forma desigual e tentando estabelecer exclusividade.

Se o resultado das negociações for esse, beleza. Senão…

21) Você ou sua empresa tem/têm alguma relação profissional/comercial com alguma das marcas e empresas citadas nos votos? Em caso afirmativo, favor especificar quais:
Não.

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