Bia Amorim

BiaAmorim

Nome: Bia Amorim
Cidade/Estado: Ribeirão Preto/São Paulo
Bio: Sommelière de cervejas pela Doemens Academy, formada em Hotelaria pelo Senac e pós-graduada em Gestão de Negócios de Alimentação. De 2010 ao fim de 2011, atuou como gerente de Marketing da Cervejaria Colorado, onde iniciou sua carreira no setor de cervejas. Hoje, por meio da sua empresa, a Por Obséquio, segue fazendo eventos de degustação e harmonização, aulas, palestras e conteúdo sobre cervejas artesanais. Bia assina colunas sobre cerveja em veículos como os portais Papo de Homem e Mixology News, e é guia etílica em passeios cervejeiros guiados para fábricas e bares. Também organiza festivais de gastronomia em sua cidade. Fome, sede e curiosidade são itens básicos do seu perfil!
Atuação na cerveja: Blog & mídias cervejeiras/Escritor(a) cervejeiro(a)/Jornalista, Sommelier/Sommelière, Degustador(a), guia etílica
Site/blog: www.porobsequio.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/beatrizsamorim
Twitter: twitter.com/biasamorim
Instagram: instagram.com/biasommelier
Untappd: não informou

***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
Weird Barrel Bad Luck. Escolhi essa cerveja porque acredito que ela tenha várias características interessantes. Em um novo bar/brewpub pirata, a cerveja tem o nome de má sorte, porque conta que trazer mulheres na tripulação não era bom sinal. Este foi um ano que muito se discutiu a presença da mulher no universo cervejeiro, foram aquelas conversas repetitivas com milhares de pessoas, mais a mudança no cenário nacional sobre o tema. Essa cerveja deve dar sorte! Uma Fruit Beer conseguiu amaciar o coração de muito pirata carancudo que passou por Ribeirão Preto! Em uma nanocervejaria, João, Rafa e tripulação tiveram imenso trabalho. Essa cerveja é deliciosa para começar qualquer conversa. Muito leve e, acima de tudo, despretensiosa, ela tem frutas que eu adoro: amora, framboesa, morango e pitanga! Depois de alguns ajustes, acredito que ela vai deixar muita gente que mora longe salivando. Eu, por sorte, moro muito perto e tenho um growler pirata!

Onde você a provou?
Cervejaria/brewpub

1a) Melhor IPA produzida no Brasil (American, English, Session, Imperial, Black, Belgian etc)
Blondine Horny Pig Session IPA. Não basta fazer uma cerveja boa. Tem que ser a um custo justo, tem que estar ao alcance. A Horny Pig foi uma das cervejas que mais tomei este ano, em número de vezes. Como não sou muito fã de cervejas extremas em lúpulo, acho que uma medida baixa de amargor é sempre agradável a um maior número de pessoas. Ganhou ainda mais pontos comigo porque tomamos essa cerveja na Casa do Porco Bar. Um projeto ousado de gastronomia que tem essa cerveja como ícone da casa, para harmonizações com os pratos a base de porco. O conceitos se encontraram! Ganhou meu voto.

1b) Melhor Stout produzida no Brasil (Sweet, Dry, Export, Imperial etc)
Invicta 108. Caí de joelhos por esta cerveja. Tem uma textura incrível, carbonatação na medida, os sabores mais tostados não têm um amargor intenso, deixando que café, baunilha e chocolate brinquem entre si. Harmonizei muito essa cerveja em 2015 em aulas e degustações. Sempre causou comoção nas pessoas! Meu voto vai para esta linda Imperial Stout da terrinha quente de Ribeirão!

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Pratinha Caramuru. Uma Vienna Lager como há muito tempo não provava. Fresca, incrível, limpa e equilibrada. Espero que mais pessoas venham até Ribeirão Preto para provar de perto esta nova cerveja. Já é um estilo de que eu gosto muito pelo poder de harmonizar. Ter a oportunidade de tomar uma boa Lager é muito empolgante! O nome é homenagem à avenida onde está instalada a pequenina fábrica de um homem só!

Onde você a provou?
Cervejaria/brewpub

2a) Melhor Bock/Doppelbock produzida no Brasil
Barco Viúva Negra. Ganhei uma garrafa no Festival Brasileiro de Cervejas em Blumenau. Quando cheguei a Ribeirão e abri a cerveja, logo no primeiro gole eu vi que uma garrafa tinha sido pouco. Um dos estilos de que eu mais gosto, senti a cerveja como ela tinha que ser: doçura do malte aparente, mas sem exageros. Sabores tostados na medida e a potência de álcool bem inserida. Enche a boca. Pena que foi pouco.

3) Melhor Sour ou Wild Ale produzida no Brasil (cervejas ácidas)
Wäls Wild Ale EAP. Depois de vários anos (e antes da notícia bombástica!) consegui me organizar e visitar a Wäls, em Belo Horizonte. Fomos a família toda e passamos um belo período por lá. Na saída, tive a sorte de levar comigo uma garrafa lindamente embalada. Dias depois, já em casa, resolvi abrir a cerveja que, logo de cara, parecia que era outra coisa, mas não uma tradicional cerveja. Acho que talvez tenha me batido uma saudade imensa das visitas que fizemos na Bélgica no começo do ano. Madeira e fermento selvagem, acho que são uma combinação estonteante. Mandaram muito bem na encomenda do Paulo!

4) Melhor Barrel ou Wood Aged Beer produzida no Brasil (cervejas maturadas em madeira)
Way Amburana Lager. Porque eu gosto de tomá-la comendo paçoquita =)

5) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Dieu du Ciel Route des Épices. Uma cerveja interessante. Feita com centeio, essa Amber ale me intrigou logo no primeiro gole. As pimentas e especiarias dão um sabor quase indescritível.

6) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Brooklyn Lager. Como bebo poucos estilos Lager, sempre acabo voltando na Brooklyn. Acho que tenho lido tanto os livros do Garrett Oliver, e agora sua vinda aqui (ao Brasil, em 2015), me influenciaram a escolher novamente essa. O padrão de qualidade que ele mantém é incrível. Bebemos sempre a mesma cerveja. Abro ela sem me preocupar como estará. Garrett falou sobre isso em uma entrevista. Além de ser fácil de achar, fácil de comprar e o preço ainda ser justificável.

7) Melhor Sour ou Wild Ale estrangeira à venda no Brasil (cervejas ácidas)
Rodenbach Grand Cru. Porque ela é sensacional =) não me canso nunca de tomar!

8) Melhor Barrel ou Wood Aged Beer estrangeira à venda no Brasil (cervejas maturadas em madeira)
Harviestoun Ola Dubh 30. Os caras sabem fazer cerveja maturada! Eu colocaria na lista a Brooklyn Quarterly Experiment, a Hand & Seal “Cognac Edition”, mas como não está à venda…. Uma das mais espetaculares que tomei nos últimos tempos. Sou fã do Woodford Reserve e a cerveja é um bourbon gaseificado e mais leve.

9) Melhor cerveja caseira
(Não votou) Tomei algumas, mas fica difícil dar um voto só. Além do mais, quase todas são sem rótulo, e aí fica difícil dizer qual era qual e de quem! Acredito que as panelas estão se tornando melhores. A troca de informação nos grupos de homebrewing é inacreditável. Muito a melhorar e estudar, mas muito melhoramos.

10) Há algum estilo de cerveja que careça de mais oferta de rótulos no Brasil? Qual?
Brown Ale. Mais opções, esse estilo é delicioso!!

10a) Em 2015, você consumiu mais cervejas…
Nacionais

10b) Da mesma forma, em 2015 você tomou mais…
Chope/growler

11) Melhor bar cervejeiro ou brewpub ou taproom nacional
Walfänger. Acompanhei de perto a obra e esmero do pessoal da Walfänger. O lugar ficou lindo, muito bem localizado (1,5 km da minha casa!) na pequena “cidade” de Bonfim Paulista, distrito de Ribeirão Preto. As chopeiras, as cadeiras, toda a atmosfera do bar foi muito bem pensada. O cardápio harmoniza com os chopes da casa, que chegam direto dos tanques. A equipe é simpática e ainda tem um biergarten na frente para os finais de semana ensolarados.

11a) Melhor restaurante brasileiro com oferta de cervejas
Não votou.

 11b) Qual o local brasileiro em que você tomou chope na melhor condição de qualidade?
Biergarten. Linhas bem cuidadas, donos sempre atentos, chopes sempre frescos.

12) Melhor mídia cervejeira (blog, site, podcast, videocast, canal de Youtube, programa de rádio, programa de TV etc)
Revista Beer Art. Essa pergunta é sempre difícil. Eu acompanho quase todos os blogs existentes! Gosto de muitos deles, principalmente aqueles que geram boas discussões, além dos necessários releases (para sabermos as novidades!). Meu voto vai para a Beer Art porque eles sempre estão atentos e são rápidos na divulgação dos fatos. Este ano o Altair ainda conseguiu lançar um livro bacana com as cervejas medalhistas.

12a) Melhor site de cervejaria nacional
Cervejaria Colorado. Informações claras, layout bonito, bastante funcional.

12b) Melhor comunicação visual de cervejaria nacional
Wäls. Tem uma gama tão grande de itens que ainda vai demorar para alguma cervejaria alcançar desta forma. A Bodebrown está em no caminho, já tem os growlers mais lindos do mercado =)

13) Melhor sommelier/sommelière de cerveja brasileiro(a)
Carolina Oda. Tenho grande admiração pela pessoa que é a Carol. Hoje em dia temos um contato mais próximo e acredito que fique mais fácil ver de perto a profissional que ela vem se tornando ao longo dos anos. Poderia citar o trabalho de vários sommeliers pelo Brasil. Mas assim como fiz nas outras questões, falar daquilo que está mais próximo é mais fácil. Não basta ser somente um aluno formado em um curso de cervejas. É preciso exercer a profissão. Assim, poucas pessoas que têm a conclusão do curso, realmente estão sommeliers. O serviço caracteriza a função. Servir cervejas, com o intuito do consumidor entender e conseguir apreciar aquele líquido. Além de professora, gerente de cervejas de um grande grupo, palestrante, consultora, Carol mergulha no universo da gastronomia e não fica na superfície. Cafés, chás, destilados, a culinária de diversas formas e provar, provar e provar de tudo que possa se conectar com o vasto mundo da cerveja. Transitar em todos esses universos é raro. Vai além, entende não só do copo certo, mas está lá ajudando a defini-lo. É preciso saber admirar as pessoas e as suas virtudes. O mundo cervejeiro carece de mais ídolos nacionais. Eles estão em formação também, pessoas que daqui a 30 anos serão lembradas pela importância que tiveram em mudar o setor.

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau. Porque é imbatível! Já está consagrado e tem feito melhorias a cada ano. Existe ali um universo formado. É bom demais encontrar as pessoas por lá, ter vários dias para visitar o evento, as comidas são maravilhosas, o espaço é grande e no fim é uma grande festa do setor. A premiação ainda precisa de ajuste, mas ter sido em um dia diferente foi muito bacana, quem trabalha tanto no festival também merece festa! Mais e mais gente vê o turismo cervejeiro como forma de entretenimento.

15) Melhor fato cervejeiro do ano
Desde o começo do ano muita coisa boa aconteceu. O número de cervejarias que abriram é enorme, muita gente entrando no setor e acreditando nele. Muita cerveja boa saindo das fábricas, este é sempre o melhor fato. Muitos cursos novos abriram, novas especialidades e também outras formas de buscar o conhecimento.

16) Pior fato cervejeiro do ano
A fúria na internet. A carga de impostos.

17) Previsão cervejeira para 2016
Calmaria, frustração, novas e boas cervejas. Vai ter de tudo. A economia anda em uma balanço injusto, não tem como prever se vai fazer sol quando só vemos nuvens escuras. Pretendo não parar de trabalhar. Nesta fase é preciso ganhar na inovação e descobrir novas formas de consumir cerveja boa a um preço justo. Acho que os eventos estarão mais atentos as expectativas que criam e vão se ajustar depois de um 2015 agitado. 2016 #mandajobs

18) O que você entende por escola cervejeira?
Escolas cervejeiras são aquelas que dão base para o que fazemos hoje. São as nacionalidades que mais se destacaram ao longo dos séculos. Fundaram o que temos como ensino da cerveja, passando para nós o conhecimento das receitas, técnicas e fundamentos.

18a) Na sua opinião, o Brasil conseguirá ter uma escola cervejeira própria um dia?
Não sei. Vale lembrar que “autêntico não significa excelente”. Não é porque tem fruta brasileira que está tudo bem. No âmbito competitivo que vivemos hoje, a identidade é algo fundamental. É preciso um conceito bem desenvolvido. A escola brasileira se faz também nas panelas. Quando sai da panela, tem sotaque brasileiro, mas ainda puxa um acento gringo. Os estrangeiros estão vindo ao País aprender a cultura e diversidade brasileira e em muitos casos, estão nos ensinando como procurar por isso. Muitas cervejas colaborativas já tiveram uma assinatura diferente e circularam pelo mundo afora com o sabor daqui e visão de fora.
Precisamos estar conscientes da importância da profissionalização do setor para que tenhamos como buscar uma identidade firme, mais do que uma escola cervejeira, queremos ser reconhecidos pelo trabalho, o produto final e não só pelo líquido, a experiência de se beber uma cerveja brasileira. Não é só de fabricação que vamos desenhar nosso setor. Os cursos de profissionalização, as empresas que comercializam, os eventos, as embalagens, as matérias-primas, as propagandas, os sites, os blogs, os concursos, os serviços, as pessoas. Tudo está conectado. Progredir e inovar estão em constante mudança no pensamento cervejeiro moderno. Mais importante é lutar para que o produto e a experiência entregue ao consumidor sejam de qualidade, que superem as expectativas. A cara brasileira vai estar estampada de diversas formas.
(partes de um texto já publicado que escrevi)

19) A situação econômica do Brasil fez com que você alterasse projetos e hábitos cervejeiros? De que forma?
Fez sim. Tive muitos eventos corporativos cancelados pelas grandes empresas. Os pequenos eventos que eu organizo estavam mais desanimados com a onda de pessimismo que se formou no meio do ano. Tomamos mais cerveja em casa do que fora. Não fui a todos os eventos que eu gostaria!

20) O que você acha de negociações (aquisição, fusão etc) entre grandes grupos cervejeiros e micro cervejarias?
Pisar em ovos é uma boa forma de simplificar. Sou a favor que mais pessoas possam beber cerveja artesanal de qualidade. Parece que criamos um certo elitismo ao dizer que somos contra as aquisições. A pequena cervejaria tem a expertise, a grande tem como investir e espalhar. Quem sabe a cerveja que a gente tanto gosta, possa chegar naqueles cantinhos mais longe, o sabor possa encantar as pessoas mais simples. Quem é contra e sabe como funciona o sistema, tem que continuar na luta. Afinal, chegamos como artesanais depois, as grandes já estavam aqui antes mesmo de nós nascermos.

21) Você ou sua empresa tem/têm alguma relação profissional/comercial com alguma das marcas e empresas citadas nos votos? Em caso afirmativo, favor especificar quais:
Sim. Trabalho como autônoma, faço diversos serviços para empresas do setor. Este ano dei palestras para a Colorado, fiz conteúdo e dei um treinamento para a Walfänger, tive uma cerveja =) colaborativa com a Blondine. Pelo que me lembro das que eu citei, foi isso!

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